Relato de viagem: Meus Dias em Nampula!

Por Carla Tanabe

09 de Março de 2018

Sabe aqueles relatos de viagem em que dá pra sentir toda a emoção do viajante? A Carla passou 15 dias em Moçambique e contou um pouco da experiência dela nesse relato pessoal e arrebatador! Quero ver você não considerar uma viagem com propósito depois dessa ;)

Que sorriso mais gostoso! - Acervo pessoal da Carla

Dia 19 de outubro de 2017, o tão esperado dia chegou! Chegou com um mix de sentimentos que faria qualquer um ficar de cabelos em pé. Ansiedade, nervosismo, adrenalina algumas das sensações que eu carregava no aeroporto, além da minha bagagem. Com apenas uma mala de mão de 8kg embarquei para o continente africano rumo a Moçambique para a maior experiência da minha vida.

Após longas horas de voo, eu enfim estava realizando um sonho: estar em território africano. Com uma conexão rápida em Johanesburgo (África do Sul), embarquei novamente em um voo de uma hora para o destino final. Nampula!

Desembarquei na província situada na região norte de Moçambique e fui recebida, ainda no aeroporto, por um calor de 38 graus e uma capulana (saia típica da cultura local) que me fizeram sentir na pele um cansaço repentino e uma sede incessante.

No caminho para o alojamento, o redemoinho de poeira, as ruas esburacadas, o amontoado de feiras e a quantidade de pessoas que me observavam enquanto eu passava me fizeram sentir o famoso “choque cultural” e me deram a certeza de que eu já estava muito longe de casa.

Crianças moçambicanas - Acervo pessoal da Carla

O alojamento, muito bem estruturado, acolheu, além de mim, mais 14 voluntários que se tornariam minha família pelos próximos 15 dias. Dormir em beliche, tomar banho com pouca água, acordar cedo e tomar café da manhã reforçado resumem o dia-a-dia na casa.

Pode parecer difícil conviver com muitas pessoas de diferentes lugares do mundo em uma casa pequena, mas quando o objetivo é o mesmo, ou seja, o de entrega, as diferenças vêm para agregar. Em pouco tempo, eu descobri que cuidar um do outro e somar nossa felicidade pode ser muito, mas muito melhor.

Antes de ingressar nessa expedição eu já realizava trabalhos voluntários, mas nenhum deles tinha o nível de imersão deste. Decidi entrar de cabeça em um lugar que nunca tinha visitado, com pessoas que eu não conhecia e em uma cultura muito diferente da minha. O porquê? Não sei dizer! Talvez seja para exercer cidadania, aprender algo novo ou encontrar a minha causa. Talvez seja tudo isso. Só sei que é um desejo intrínseco, que vem de dentro, como se alguém plantasse uma semente que só germina com a troca de muito amor, carinho, compaixão e empatia.

Ao longo desses 15 dias, apoiei integralmente a médica da expedição nos atendimentos. Minhas atividades se resumiam na higienização das ferramentas de trabalho, organização dos remédios, auxílio nas medicações e reposição do estoque. Entrega de kits escolares, entretenimento com as crianças e suporte na construção da primeira escola da ONG completam as atividades que realizei nessa experiência. Confesso que ficar na área da saúde não foi uma tarefa fácil, ver crianças tão doentes é de cortar o coração de qualquer um. Não foi à toa que esta foi a minha maior dificuldade.

Em um momento do atendimento, na primeira vila que visitei, pensei que fosse desabar em lágrimas. Meu coração apertado e uma angústia avassaladora que tomou conta de mim fez com que eu precisasse sair do local para tomar fôlego e continuar os trabalhos. Um menino, de aproximadamente quatro anos de idade, estava com pneumonia. Carregá-lo no colo e sentir a respiração curta e ofegante me fez entender o motivo de eu estar ali.

Visitamos 6 vilas no total, cada uma delas com uma particularidade que se sobressaía naquele cenário quente, seco e precário. Tudo o que eu vi, ouvi e senti foi muito impactante!

Acervo pessoal da Carla.

Eu me emocionava com cada detalhe, desde as casas locais, feitas com uma espécie de barro e com telhados de palha, às mulheres moçambicanas, que mais pareciam mulheres-maravilha levando os baldes d’água na cabeça, chegando enfim ao sorriso largo das crianças que corriam sempre que viam o machimbombo (ônibus) passar. Mesmo não falando a mesma língua, em algumas vilas nós nos entendíamos com apenas uma troca de olhar, o que transformava um momento que deveria ser comum em algo único.

Impactante, chocante não são sinônimos suficientes para caracterizar o meu dia-a-dia. Foi intenso, diferente de tudo que já vivi. Ver a alegria das crianças ao observarem uma fotografia, me emocionar ao entrar na casa das famílias, me encantar com a beleza que esse país tem, tão única e fascinante, e principalmente ter a certeza de que ele é sim muito, mas muito mais do que qualquer estereótipos. Essa experiência me sacudiu, mexeu comigo em todos os sentidos! Pude sentir no corpo, na saúde e na alma.

Sobre mim? Será que consigo falar algo sem mencionar uma frase clichê? Difícil! Mas se querem saber, eu me joguei! Vivi cada momento, registrei cada paisagem, conversei com cada criança, cozinhei com as moçambicanas, soquei alho no pilão. O contato com cada um deles foi muito importante e genuíno. Sem dúvida, foi a parte mais significativa para mim.

Descobrindo as mulheres fortes de Moçambique. - Acervo pessoal da Carla.

Havia muito trabalho a se fazer. Organizar a equipe, os materiais de atendimento e alimentação, chegar até a vila e atender todas as pessoas são alguns exemplos. Acordar cedo era algo rotineiro para que os dias rendessem. A impressão que eu tinha era que os dias demoravam a acabar. As horas? Ah, essas pareciam não passar. Talvez seja de propósito. Talvez seja para que eu pudesse ter tempo suficiente para refletir e digerir tudo o que tinha acontecido no dia. E, de fato, eu precisava mesmo.

Hoje eu sei que mudei, descobri um pedacinho do meu coração que não sabia que existia. Sei também que voltarei. Voltarei para dar um abraço em cada pessoa que conheci, mesmo que isso não seja algo comum entre eles. Aprendi que o trabalho voluntário pode sim mudar o mundo, ele pode sim gerar um pensamento produtivo, ousado e inovador. Um pensamento que não resulte da repetição de lugares comuns, de fórmulas e de receitas já pensadas pelos outros. O trabalho voluntário pode fazer com que mudemos de atitude para conquistarmos uma condição melhor e sermos construtores do futuro.

Voluntariado - Acervo pessoal da Carla.

E você, também quer fazer uma viagem transformadora? Acesse a nossa aba de EXPEDIÇÕES e descubra o que estamos programando. 

 

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