Tudo que você precisa saber sobre turismo de base comunitária!

Por Natalia Teichmann

13 de julho de 2017

2017 foi eleito pela ONU o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento e o Turismo de Base Comunitária, TBC, é uma das principais metodologias utilizadas na hora de falar sobre turismo como ferramenta de mudança social.

O turismo de base comunitária tem foco nas pessoas - Foto por Marcelo Lopes

É comum ouvir alguém dizer que pretende fugir dos locais feitos para atrair turistas porque eles nos impedem de enxergar a realidade. Mas afinal, se a questão é sentir uma conexão verdadeira com os destinos que conhecemos, porque existem tantos locais por aí “montados” para receber turistas?

Para muitas pessoas, viajar significa o merecido descanso dos dias de rotina e trabalho que eles têm normalmente. Para isso, muitas pessoas não se importam em pagar o valor que seja para se sentirem o mais confortáveis possível, comerem muito bem e serem extremamente bem tratadas durante todo o período das férias, enquanto admiram a paisagem e fazem registros fotográficos disso ou daquilo para reviver quando já estiverem de volta para casa.

Não tem absolutamente nada de errado e certamente nada de ruim nessa descrição e é por isso que locais turísticos mundo afora investem tanto em estrutura para nos receber. Muitas vezes, tratam-se de grupos milionários, detentores de hotéis no mundo todo, trabalhando com os mesmos padrões de qualidade e recebendo somas assombrosas para garantir o conforto e segurança que o turista espera ao pagar pelo serviço.

Contudo, tenho visto cada vez mais o aumento no número de pessoas que não se sentem mais satisfeitas com o turismo tradicional. Para muitos, a “fachada” criada para receber os visitantes é uma ilusão que nos impede de ver a realidade local e os impactos ambientais e culturais do turismo tradicional começam a ganhar a boca das pessoas.

Viajar é uma das melhores coisas da vida, o tipo de coisa que “você paga e te deixa mais rico” certo? É aquela velha história, não existe viagem que não agregue algo para o viajante, mas será que existem maneiras de viajar e agregar mais para a comunidade local do que para si mesmo? Será que você entende a perspectiva de quem vive num local turístico?

Eu mesma já tive experiências que me mostram o quanto é difícil o turista se colocar no lugar de um morador local. Certa vez, estava numa pequena cidade na África do Sul e, ao encontrar todas as lojas e restaurantes fechados às 16h30, fiquei impressionada com a falta de perspectiva turística dos moradores locais. Nem me ocorreu pensar que esse é um fator cultural que dura gerações e que talvez me adequar a isso fizesse parte do meu papel enquanto visitante e não o contrário.

  •  O turismo de experiência

O acesso a informações que a internet trouxe permite também que enxerguemos um mundo diferente, cheio de pequenos detalhes e experiências com aquele caráter de algo único. O turista começa a querer mais do que queria antes. E não precisa ser nada grandioso não, muitas vezes os pequenos detalhes já transformam a experiência: ao visitar Minas Gerais, você aprende a fazer o tradicional doce de leite; em comunidades ribeirinhas no Pará, você acompanha todo o processo de manufatura do artesanato local; na viagem para o Pantanal, você colhe os ingredientes locais e prepara a sua refeição típica com a ajuda dos moradores locais.

 

Esses detalhes, ainda que pequenos, tornam aquela viagem mais memorável: nunca vai ser igual a nenhuma outra. Isso é o que chamamos de turismo de experiência.

 

Por todo o mundo, agências especializadas nessa abordagem estão pipocando. Aquilo que antes era considerado altamente exclusivo, é hoje um pouco mais acessível e a informação de como vivenciá-las está na web. Blogs de viagem com relatos detalhados de como fazer qualquer tipo de viagem estão por toda parte, tornando as tradicionais agências de turismo algo que já parece ter os dias contados.

Processo de manufatura do artesanato - Foto por Marcelo Lopes

  • Mas afinal,  o que é o turismo de base comunitária?

 

O turismo de base comunitária, assim como o ecoturismo, é uma metodologia de trabalho utilizada para potencializar o impacto do turismo enquanto ferramenta de redução da pobreza. É, também, uma especialização das modalidades de turismo experiencial e responsável, caracterizado pela conservação dos modos de vida tradicionais e a preservação da biodiversidade.

O grande diferencial é que o controle das atividades está nas mãos das comunidades locais, que encontram a melhor maneira de explorar os recursos do território de maneira sustentável, gerando trabalho e oportunidade em localidades que, muitas vezes, têm esta atividade como única fonte geradora de renda. O grande diferencial, portanto, é o fator humano e cultural.

Muitas pessoas já estão se organizando e abrindo as portas das próprias casas para mostrar ao mundo o que a vida por ali tem de única. É um turismo simples e autêntico, onde a relação entre visitante e anfitrião é mais próxima e por isso pode ser feito com sucesso em qualquer lugar.

 

  • Por que o turismo comunitário é visto como uma alternativa mais sustentável?

 

Projetos de turismo de base comunitária devem ter como princípio básico a melhoria da condição de vida das pessoas que residem em regiões onde, geralmente, a presença do Estado e da economia de mercado são pouco marcantes, fazendo com que a atividade turística seja a atividade econômica mais viável para garantir o sustento da população.

Além de se tornar uma fonte de renda para quem está diretamente relacionado à atividade turística, o turismo comunitário também contribui para o florescimento de atividades econômicas secundárias. Um ótimo exemplo é o cultivo de alimentos para servir às pousadas e restaurantes comunitários.

Quando bem executada, esse tipo de viagem proporciona uma abordagem muito mais intimista da realidade local, mas a ideia não é ser intrusiva, e sim empoderadora, na medida em que a herança cultural e a voz de quem vive essa vida há gerações é alçada a um novo nível e os mais jovens escutam e aprendem com mais atenção os ensinamentos passados por pais e avós.

Outro fator essencial sobre esse tipo de turismo é que não se trata de um turismo de massa. O volume de pessoas que vivenciam cada local é controlado, até para se garantir a sustentabilidade do projeto a longo prazo.

 

O meio-ambiente agradece, é claro, mas outra consequência é que não estamos, necessariamente, falando de um turismo mais barato que o tradicional, pois apesar de eliminarmos grandes corporações do cenário, valorizando aspectos de maior simplicidade, o número reduzido de visitantes precisa ser levando em consideração no momento da precificação, o que pode elevar o valor do pacote.

Comunidade quilombola Kalunga, Chapada dos Veadeiros - Foto por Marcelo Lopes

  • O turismo comunitário no Brasil

O Brasil já tem uma grande vantagem no segmento: só o nosso país já é um mundo de culturas e biodiversidade diferentes, que atraem cada vez mais turistas estrangeiros dispostos a desembolsar um bom dinheiro para explorar essa abundância natural e cultural.

Alguns projetos bem estruturados envolvendo TBC já existem no país e um bom local para encontrar experiências do tipo é o Guia Garupa do Brasil Autêntico, uma lista que reúne algumas das melhores iniciativas para quem quer explorar essa maneira de viajar.

 

O melhor é que, mesmo para aquele entusiasta do turismo nacional, que já conhece todos os 26 estados e o Distrito Federal, o turismo comunitário ainda reserva muitas surpresas. O fator autenticidade garante que nenhuma experiência vai ser igual a anterior e, acredite, a realidade é sempre mais rica do que a nossa imaginação é capaz de formular por conta própria.

Então na sua próxima viagem, tente sair um pouco da rota tradicional de turismo. Pode até ser que não vire regra para todas as suas viagens, mas com certeza vai render algumas boas histórias para compartilhar.

Gostou do post? Nos ajude compartilhando via Facebook!

Descubra um relato completo de turismo de base comunitária, pegue a sua cópia do e-book “Rio acima – Um relato da minha primeira experiência com turismo comunitário”? É gratuito ;)

 

Razão Social: NSC TEICHMANN - ME

CNPJ: 27.510.905/0001­- 68

Agência devidamente cadastradano Cadastur: confira

+55 61 9 81580202

  • Instagram2016_col-64px
  • Facebook Social Icon
@social.iris