Você está pronto para fazer turismo de voluntariado?

Por Natalia Teichmann

30 de outubro de 2017

Responda as cinco perguntas que preparamos e descubra se você está pronto para partir com todos os seus sonhos e expectativas na mala!

Foto por Blue Tape Mídia

Viajar para se voluntariar por uma causa parece uma excelente ideia para qualquer pessoa certo? Quem não quer conhecer novas culturas, se sentir útil, crescer como pessoa e se, ainda por cima, eu puder pagar menos pela viagem, melhor ainda!

Se essa afirmação resume o seu sentimento sobre viagem de voluntariado, ou volunturismo, você está precisando rever alguns conceitos.

A verdade é que, por mais que a gente queira, nem sempre estamos prontos para viver uma aventura como essa e perceber a extensão dos impactos, positivos ou negativos, que isso pode causar em você e na comunidade anfitriã, por isso preparamos cinco perguntas que você precisa fazer a si mesmo antes de programar sua viagem de voluntariado.

1. Afinal, quais são as suas prioridades?

Você reparou na linha de pensamento que permeia todo o primeiro parágrafo desse texto? Conhecer novas culturas, se sentir útil, crescer como pessoa. São muitos dos pontos que as pessoas costumam elencar como razões para viajar e fazer voluntariado e são coisas muito válidas. Elas resumem muito da experiência que você vai ter ao fazer uma viagem com significado, uma viagem com o poder de te alterar e impactar de alguma forma, uma verdadeira lição de vida.

Mas pera aí: alguns dos motivos que você elencou, não deveriam considerar o outro lado dessa história, ou seja, a comunidade ou ONG anfitriã? Muitas vezes, sem perceber, mantemos a mentalidade do turismo tradicional, que é inteiramente voltado à sua experiência, deixando de considerar que, mais importante que pensar em todo o impacto que isso vai causar para a sua vida, é preciso pensar na sua capacidade de impactar a vida das pessoas que você está se propondo a ajudar.

No meio daquilo que te motiva a embarcar numa viagem como essa, ajudar verdadeiramente, da forma que for mais útil, deve estar no topo da sua lista. Os outros motivos são bônus, coisas que o universo te dá por estar fazendo uma coisa boa, e por isso mesmo eles devem vir naturalmente e não se tornar o principal objetivo da sua viagem.

Então coloque as suas prioridades em ordem, pois dependendo do resultado, compensa pensar mais um pouco antes de trocar o hotel por uma ONG estrangeira.

Foto por Blue Tape Mídia

2. Já parou para avliar sua real capacidade de contribuir?

 

Muita gente viaja para se voluntariar pensando em encontrar uma vaga que pareça legal, num lugar com muita coisa boa para conhecer, onde você atenda aos pré-requisitos básicos. E só.

Mas pera aí! Você já leu alguma coisa sobre o risco de impacto negativo que o volunturismo tem? Sobre os milhares de voluntários despreparados que têm causado mais problemas que ajudado efetivamente? Não?! Então corre aqui pra saber mais.

Novamente, precisamos evitar que os hábitos enraizados do turismo tradicional prevaleçam em uma viagem cujo objetivo é se voluntariar. Aqui, o que importa não é a sua simples vontade de fazer essa viagem, a sua conduta tem o poder de impactar vidas diretamente e isso é uma grande responsabilidade. Considerar os pré-requisitos para uma vaga não costuma ser suficiente, você precisa avaliar se é realmente capaz de fazer a diferença através da sua presença.

Pode ser que você seja o tipo aventureiro espontâneo, que já rodou o mundo e adora não ter muitos planos para seguir, mas viajar para se voluntariar não é uma viagem como as outras e, para ser feita corretamente, você precisa passar, no mínimo, por muita reflexão antes.

Você quer ensinar inglês para crianças na Tailândia? Talvez valha a pena buscar mais informações antes de viajar, como aprender um pouco mais de inglês, pesquisar métodos de ensino para pessoas com nenhum contato com a sua língua. Talvez a questão seja considerar uma atividade que você não consideraria de cara, mas que você com certeza faria com desenvoltura, ao invés da atividade que você gostaria de fazer.

Todo mundo quer fazer voluntariado e brincar com crianças, cuidar de filhotes de leão, mas será que esse é o tipo de voluntariado que vai realmente contribuir para o desenvolvimento local? Ou será que isso é o seu lado turista falando mais alto?

Foto por Blue Tape Mídia

3. Você costuma fazer voluntariado na sua cidade?

Quem já faz voluntariado sabe que muitas situações inusitadas e talvez até perturbadoras podem acontecer quando se está doando seu tempo e habilidades para uma causa. Agora imagine passar por tudo isso pela primeira vez em um país distante, onde você não conhece ninguém e tendo que se virar sozinho de alguma forma. Muito mais complicado certo?

Para mim, se voluntariar na sua cidade/país antes de partir para o mundo é um aprendizado essencial para todo voluntário viajante. Tem, inclusive, muito a ver com os seus objetivos, afinal, se o que você pretende é ajudar acima de tudo, por que é que precisa ser do outro lado do mundo?

Este não é um pré-requisito, mas pode ser extremamente útil para lidar com situações difíceis que você pode encontrar como volunturista e com certeza vai te ajudar a contribuir melhor com seus anfitriões. Já pensou se você chega lá no projeto e descobre que voluntariado não é para você no fim das contas?

Se você não tem e nunca teve interesse em ser voluntário e de repente resolve que fazer isso na Ásia pode ser legal, acho que falta voltar aos dois itens anteriores e refletir um pouco mais. Talvez você simplesmente goste de viajar e, quer saber, não tem nada de errado com isso.

Foto por Blue Tape Mídia

4. Tem certeza que você não está procurando uma forma mais barata para viajar?

Bom, se isso tem passado com frequência pela sua cabeça, provavelmente suas prioridades estão bastante invertidas.

Eu já vi muita gente fazendo confusão entre workaway e volunturismo, e o pior é que eles não tem nada a ver um com o outro!

Workaway é quando o viajante oferece sua mão de obra em troca de acomodação e/ou comida, o que torna esta forma de viagem excelente para quem tem um orçamento apertado. Mas isso não tem nada a ver com voluntariado.

De acordo com a ONU, voluntário é alguém que, “(...) devido a seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de atividades de bem estar social ou outros campos” (nacoesunidas.org/vagas/voluntariado/, grifo nosso). Você acha que trabalhar na recepção de um hostel se qualifica?

Eu já mapeei as dificuldades de muitas ONGs e, na grande maioria, a principal dificuldade é sempre recursos. Recursos para pagar pessoal qualificado, recursos para alimentos, recursos para materiais. Você acha realmente justo que você condicione o seu trabalho voluntário a uma espécie de contrapartida?

A retribuição que você tira do voluntariado é a oportunidade de vivenciar uma experiência com o potencial de mudar sua vida e, quer saber, eu acho que não existe retribuição melhor que essa.

Foto por Blue Tape Mídia

5. O que você está procurando através dessa viagem?

 

Tradicionalmente, a gente viaja para relaxar, tirar nossos problemas da cabeça e se divertir à beça! É por isso que a gente costuma se lembrar das nossas viagens como alguns dos melhores dias das nossas vidas. Mas sabe, voluntariado não é sempre assim...

Como eu já mencionei antes, as coisas podem ficar um pouco difíceis de lidar. Você pode ficar em uma situação precária, pode ouvir histórias chocantes e pode se sentir impotente, o que não vai ser muito agradável. Mas então, você tem um dia incrível, onde você pode ver os resultados do trabalho que está fazendo, e é aí que a sensação de realização supera qualquer outra coisa que você já tenha sentido.

Viajar para se voluntariar pode parecer bastante com estar em uma montanha-russa, com muitos altos e baixos. É por esse motivo que a experiência é tão intensa e as pessoas acabam se descobrindo mais capazes do que pensavam, mas também é por isso que nem todo mundo está pronto para encarar o desafio.

É nesse ponto que eu acho que a experiência entre turismo tradicional e volunturismo são mais distintas. Eu não estou dizendo que viajar para se voluntariar não vai ser divertido, mas a questão é que a viagem não é sobre isso. Claro, você vai conhecer lugares e pessoas incríveis, mas isso vem entre turnos de trabalho com recursos limitados e para os quais você provavelmente tem pouco preparo emocional e, consequentemente, alguns dias difíceis podem aparecer no processo.

Por todos esses motivos, vale à pena você pensar muito nos porquês da sua viagem e nas expectativas que você está colocando nisso. Considere tudo o que dissemos e só viaje para se voluntariar quando estiver pronto para se render à experiência.

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