Relato de viagem: minha experiência fazendo voluntariado na Tailândia!

Por Lina Ferreira de Castro

01 de Dezembro de 2017

Você já se perguntou como seria fazer voluntariado em um vilarejo na Tailândia? A Lina conta pra você tudo sobre a experiência dela em Phichit: desafios, vitórias, receios. Esperamos que esse relato te inspire a viajar com propósito ;)

Quem não ia querer encontrar esses rostinhos?!

Sempre gostei de participar de projetos sociais em comunidades e organizações, e após um ano difícil, com muitas dificuldades e frustrações no âmbito acadêmico/profissional, senti que precisava fazer algo diferente, ter uma experiência que me trouxesse novas perspectivas e me abrisse os olhos para coisas novas. Tive a ideia de fazer trabalho voluntário em minha viagem pois estaria fazendo duas coisas que gosto muito: conhecer lugares e culturas novas, e ajudar uma comunidade local.

 

É um clichê, mas eu sinto que não escolhi o destino da minha viagem; acho que foi ele quem me escolheu.

 

Eu nunca havia colocado a Ásia como prioridade para viagens, então quando comecei a procurar o lugar para onde iria, a opção da Tailândia surgiu de surpresa. O pessoal do projeto entrou em contato rapidamente comigo e, em menos de 10 dias, tudo havia fluído facilmente e já estava acertado que eu iria dar aulas de inglês em uma escola pública no interior.

 

Eu já havia visto fotos da Tailândia e sabia que era um país budista, mas não conhecia nada além disso. Ao chegar lá, já tive meu primeiro perrengue, pois eu estava sozinha, havia pego um metrô até o bairro do meu hostel e quando fui procurar um táxi, nenhum queria me levar, pois não falavam inglês e o único que topou, me extorquiu. Mas passada essa primeira impressão, dali pra frente foi só alegria!

Antes de ir para a cidade do meu projeto, passei vinte dias viajando pela Tailândia sozinha. Sinto que esse tempo foi importante para que eu me adaptasse às coisas mais básicas da cultura local, como a culinária e para entender um pouco sobre o funcionamento das coisas por lá.

Ao chegar de trem em Phichit, a cidade onde fica o meu projeto, estava muito insegura, pois eram quatro horas da manhã e de repente eu me vi sozinha no carro de um homem desconhecido a caminho de uma casa na beira da estrada de um vilarejo na zona rural, onde ficaria com ele e sua esposa. Não deixei que isso me desanimasse e, a partir do dia seguinte, a insegurança se substituiu por deslumbramento.

Tudo era muito novo, e eu ficava surpresa com cada detalhe, desde as casas dos locais até a dinâmica de funcionamento da escola, o próprio sistema de educação local. Tudo era extremamente diferente do que eu conhecia. Minha casa, por exemplo, era considerada um tanto luxuosa para os parâmetros locais, pois era feita de tijolos enquanto a maioria era de madeira, tinha ar condicionado nos quartos e uma ducha ao invés de baldes para o banho.

Tradição da meditação.

O contato com as crianças foi o mais incrível de tudo. Desde o momento em que cheguei, elas estavam transbordando de curiosidade para saber sobre mim, sobre minha cultura, meu país e as primeiras aulas foram basicamente contar a eles sobre o Brasil. Durante as seis semanas em que fiquei lá, era muito transparente o encantamento deles pela oportunidade de aprender uma nova língua com alguém que veio de tão longe para ensiná-los. Eu era muito valorizada e respeitada, mesmo quando eles não entendiam uma palavra do que eu falava.

Claro, haviam exceções, mas eu já sabia que não seria tudo maravilhoso. Algumas turmas, especialmente os adolescentes, mostravam menos interesse e com essas turmas eu precisava ir um pouco além se quisesse conquistar a atenção deles. Com as professoras, meu relacionamento variava bastante; algumas me ajudavam muito; forneciam ferramentas e materiais para as aulas; se esforçavam para me ajudar na comunicação com os alunos (mesmo que não soubessem falar inglês direito, elas tentavam); mas também tinham aquelas sem muita disposição para me ajudar, mas nada que atrapalhasse.

 

Minha principal dificuldade foi montar um plano de aula que fosse efetivo para os alunos. Eu precisava entender o que faria sentido ensinar a eles considerando o local onde viviam e o estilo de vida da comunidade e a escola não me deu nenhum suporte com isso. Eu procurei saber qual era o nível de inglês de cada turma, perguntava a todos os professores e eles não deixavam claro, mas quando percebi que o esperado de mim era fazer as crianças decorarem frases de conversação básica, sem fazê-los entender de fato o conteúdo passado, eu percebi que meu desafio seria muito maior do que eu havia imaginado.

Elas faziam tudo valer a pena!

Eu não queria seguir o método deles pois sabia que meu trabalho seria em vão. Os alunos já sabiam falar algumas frases, porém não faziam ideia do que falavam, apenas reproduziam frases decoradas e eu queria que eles realmente aprendessem coisas que um dia pudessem ser úteis. Esse fator, somado à dificuldade de comunicação por conta da língua, constituíram meus maiores desafios.

 

A língua era uma barreira pois a família que me hospedou não falava inglês, então era muito difícil quando eu precisava combinar algo com eles, quando planejava um programa para os finais de semana e para resolver as coisas do dia a dia. Na escola também era difícil quando não havia nenhum aluno ou professor que soubesse o mínimo de inglês por perto, mas nisso a tecnologia ajudou, pois os alunos aprenderam rapidamente a usar Google tradutor no celular.

Experimentar os costumes locais faz toda a diferença!

Os impactos mais significativos dentro de mim foram as lições que aprendi ao ver a forma como os Tailandeses vivem nas regiões rurais; como funcionavam as relações sociais tanto na escola quanto nas famílias; a relação deles com o budismo... Foram lições de humildade e gratidão que eu não aprenderia em nenhum outro lugar.

 

Os impactos negativos, por sua vez, não foram especificamente na vivência e no local do projeto e sim nas cidades turísticas. A Tailândia é o país que mais recebe turistas do mundo anualmente e a economia do país depende disso. Mas como na maior parte da Ásia, a população não tem consciência ambiental e não há a menor preocupação com os danos que os turistas causam ao local. Quando aliamos um governo que não tem comprometimento com o turismo consciente à turistas que acham que, por estarem num lugar paradisíaco, podem fazer tudo, os resultados são praias sujas, cidades abarrotadas de lixo e, principalmente, turismo sexual, culpado pela exploração imensa de jovens tailandesas. Isso me deixou bem preocupada e chateada.

 

Acredito que o maior impacto positivo causado na comunidade local pela minha presença veio do fato de eles nunca haverem recebido um voluntário ocidental, apenas de países orientais, o que gerou uma imensa troca cultural para ambas as partes; eles aprenderam comigo tanto quanto eu com eles, especialmente sobre as diferenças culturais. Acredito que abri a mente das pessoas da escola e do vilarejo em geral para a diversidade, despertei nelas a curiosidade sobre lugares que elas nem conseguiriam apontar no mapa. Houve uma troca de aprendizado muito grande e acredito que isso foi tão incrível para eles quanto foi para mim. Mesmo que eles nunca saiam do vilarejo para praticar o inglês com estrangeiros, sei que, ao menos agora, eles buscam conhecer mais sobre outras culturas e lugares, buscam mais conhecimento e sabem que no mundo existe um infinito de coisas diferentes.

Lina e as crianças de Phichit :)

Essa viagem foi extremamente transformadora na minha vida, praticamente um divisor de águas. Eu fui ciente de que voltaria com uma bagagem muito grande de aprendizados, mas eu superei minhas próprias expectativas e voltei uma nova pessoa, com valores e perspectivas muito diferentes. Eu não só faria outra viagem como essa novamente, como também desejo que todo mundo tenha a oportunidade de viver algo assim.

 

Não importa se você vai para o outro lado do mundo ou para um lugar no seu próprio país, eu acredito que oportunidades de trocar conhecimentos e aprendizados sempre transformam o mundo de alguma forma, seja essa transformação dentro de você ou na vida de uma comunidade toda.

E você, Já fez uma viagem social? Entra em contato com a gente! Pode ser que a sua história seja compartilhada aqui no nosso blog e inspire outras pessoas a fazerem o mesmo ;) Mande um email para oi.hola.hello@iris.social.

Gostou desse artigo? Nos ajude compartilhando via Facebook!

 

Razão Social: NSC TEICHMANN - ME

CNPJ: 27.510.905/0001­- 68

Agência devidamente cadastradano Cadastur: confira

+55 61 9 81580202

  • Instagram2016_col-64px
  • Facebook Social Icon
@social.iris